Vinte anos depois de Iraci França, Mato Grosso volta a ter uma mulher na vice-governadoria. Gisela Simona (União) chega ao Palácio Paiaguás ao lado de Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito governador neste domingo (4) no primeiro turno com 1.128.099 votos, equivalentes a 60,77% dos votos válidos, a maior votação já obtida por um candidato ao Governo de Mato Grosso.
A vitória encerra uma campanha que levou os dois candidatos a diferentes regiões do Estado e colocou Gisela em uma posição política nova. Depois de 25 anos de atuação no Procon e 33 meses na Câmara Federal, a agora vice-governadora eleita passa a integrar diretamente o núcleo de decisões do Executivo estadual, levando para o governo uma trajetória construída na defesa dos consumidores, dos servidores públicos, das mulheres e de políticas de proteção social.
A primeira mulher a ocupar a vice-governadoria de Mato Grosso foi Iraci França, que exerceu o cargo entre 2003 e 2007, durante o primeiro mandato de Blairo Maggi. Duas décadas depois, Gisela chega ao mesmo posto com uma agenda que ganhou centralidade durante a campanha, especialmente no enfrentamento à violência contra a mulher e na ampliação da presença feminina nos espaços de decisão.
Após votar pela manhã na Fatec-Senai, no bairro do Porto, em Cuiabá, Gisela acompanhou a movimentação nos locais de votação e seguiu para o Tribunal Regional Eleitoral, onde comemorou a vitória e conversou com a imprensa. “Hoje ganhamos da velha política. Fizemos uma campanha linda, cheia de propostas, com muita conversa e em muitos municípios de Mato Grosso. Levamos propostas que entendemos necessárias para que Mato Grosso continue avançando”, afirmou.
A partir de agora, entretanto, o desafio é outro. Se a campanha foi marcada pela escuta de diferentes regiões e segmentos da população, o governo eleito terá diante de si a tarefa de transformar essa escuta em políticas públicas. E é justamente nesse espaço que Gisela pretende construir sua contribuição à gestão.
A futura vice-governadora tem defendido que Mato Grosso atravessou, nos últimos anos, um ciclo de investimentos, obras e ampliação da infraestrutura e que o próximo passo precisa estar relacionado à capacidade de fazer essa prosperidade alcançar mais pessoas.
“Como mulher, com a minha sensibilidade e com a minha trajetória, acredito que posso ajudar muito Pivetta a cuidar das pessoas”, afirmou Gisela, ao defender a ampliação de políticas públicas destinadas principalmente aos segmentos mais vulneráveis, como mulheres, idosos, crianças e adolescentes.
A frase ajuda a definir o papel político que ela pretende desempenhar no novo governo. Não se trata apenas de ocupar a vice-governadoria, mas de levar para dentro da gestão uma agenda construída ao longo de décadas de atuação pública e que ganhou nova dimensão durante a campanha.
Entre essas prioridades está o enfrentamento à violência contra a mulher. Desta forma, Gisela chega ao governo após colocar o tema no centro de sua campanha e de defender uma política que combine prevenção, proteção e presença efetiva do Estado nos municípios.
Ampliando a rede de proteção, fortalecendo serviços especializados, sobretudo, capacitando servidores e estabelecendo protocolos que reduzam as diferenças no atendimento às vítimas. Gisela ainda acredita que a prevenção pode ser uma ferramenta extraordinária nesta luta e precisa começar antes da violência, com ações nas escolas, formação de professores e sensibilização de crianças e adolescentes.
A vice-governadora também defendeu uma atuação mais integrada entre Estado e municípios, para que as mulheres encontrem uma rede de proteção capaz de funcionar antes que a violência alcance sua forma mais extrema. É nesse ponto que a vitória eleitoral ganha uma dimensão que ultrapassa o resultado das urnas. Gisela chega ao Paiaguás não apenas como a segunda mulher a ocupar a vice-governadoria de Mato Grosso, mas como uma liderança que fez da defesa das mulheres uma das marcas de sua trajetória e que agora terá a oportunidade de transformar essa experiência em política de governo.
Assim, ao lado de Pivetta, o desafio será conciliar a continuidade de um Estado que ampliou sua capacidade de investimento com uma nova agenda de desenvolvimento humano. Depois de fazer obras e infraestrutura avançarem, a discussão passa a ser como fazer a riqueza produzida por Mato Grosso chegar a mais pessoas, ampliar oportunidades e proteger quem ainda depende de uma presença mais efetiva do poder público.

