Ser mulher na política

Nesta semana em que celebramos o Dia Internacional da Mulher (8 de março), momento de reflexão sobre igualdade e direitos, importante compartilhar com vocês uma experiência na minha vida que é ser mulher e participar da política partidária, afinal, até o ano de 2018 eu jamais imaginei estar filiada a qualquer Partido Político ou participar de uma disputa eleitoral.

Ocorre que estar na vida pública e participar da administração de um órgão público fez com que eu aprendesse que muitas ações são possíveis acontecer somente se tiver vontade política do gestor que está investido de poder, mais do que isso, o gestor precisa ter independência para fazer o que é certo, não importando se isso vai afetar grandes interesses econômicos ou políticos.

Esse perfil de gestor, infelizmente, não é a regra no nosso país e o tempo, a experiência de vida, todos os “não” recebidos, mesmo em prol do interesse público, nos mostra e deixa cada vez mais evidente a força daquele que tem o poder da caneta, o poder de decisão. Isso nos faz refletir o quanto votar em alguém transfere poder de decisão sobre nossas vidas.

Afinal, a qualidade da comida que temos na mesa, as filas nos hospitais, o padrão do transporte público existente, os impostos que pagamos, a educação que recebemos, os medicamentos disponíveis, tudo, absolutamente tudo faz parte de uma decisão política.

Essa análise que parece óbvia, mas que nem todos demonstram preocupação efetiva em resolver, fez eu refletir até quando ficaria reclamando dos problemas nas redes sociais e nas rodas de conversa. Foi quando resolvi estudar, conhecer o papel de cada representante e a pedido das pessoas mais próximas o meu nome foi lançado candidata a Deputada Federal em 2018.

Já na campanha eleitoral recebi alguns questionamentos que não ouvi homens tendo que responder, do tipo: por que resolveu se candidatar? Sente preparada para enfrentar os membros do Congresso Nacional? Você acredita que vai ter o apoio das mulheres? E como se não bastasse, ainda tinha a preocupação além de pedir o voto das pessoas, se o partido iria cumprir o valor ofertado para organizar minha campanha, pois, tinha que pagar material gráfico, contratar pessoas, ter combustível para fazer as andanças e todas as demais obrigações de campanha.

O partido infelizmente não cumpriu a oferta feita na sua integralidade e muita gente sequer ficou sabendo que eu era candidata ou quem era Gisela Simona. Não ganhamos a eleição, mas tivemos a força de 50.682 votos, uma votação extraordinária ante a simplicidade da campanha realizada, pouca preparação e quase nenhum investimento do partido.

Passada a emoção da campanha e eleição, conclui que continuar a vida política partidária não era falar de partido somente às vésperas de eleição, é necessário participar de forma contínua, entender sobre partidos, formar comissões provisórias, vestir a camisa do seu time, ter grupo político, ampliar sempre que possível, participar da direção e isso incomodou muita gente, principalmente homens que estavam na direção e foram substituídos por mulheres. Aceitar uma mulher no comando, principalmente de um partido político, para alguns ainda é inadmissível, infelizmente.

Mas devagar, com respeito e muita vontade de fazer a coisa certa vamos resistindo e conquistando nosso espaço.

Ser candidata a prefeita da capital – Cuiabá, uma cidade com 301 anos que nunca teve na sua história uma mulher eleita prefeita foi algo desafiador e inspirador para várias mulheres que me abraçavam nas ruas e diziam: agora é a nossa vez.

Nossa vez ainda não chegou, mas estar hoje prestes a participar de uma nova eleição, conhecendo as regras do jogo, sabendo dialogar com lideranças partidárias de igual para igual, ter um capital político de respeito faz sim ter orgulho e reafirmar que a mulher pode e deve estar em todos os lugares que ela quer ficar, em especial, na política.

Gisela Simona é advogada, servidora pública e 1ª Suplente de Deputada Federal por Mato Grosso

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